A afirmação de Justino de que o cristianismo é a verdadeira filosofia, lhe trouce alguns problemas, não evitados pelo pensador:
Se o cristianismo é a verdadeira filosofia, o que dizer dos filósofos anteriores a Cristo? Iremos condená-los por não terem contato ou ignorado a revelação?
Justino afirma que foram os mestres gregos que o haviam trazido às proximidades do cristianismo e defende que os mesmos merecem sim um lugar na religião de Cristo, visto que tiveram uma certa participação no Verbo. Assim, se torna fundador do Humanismo Cristão.
1 - Toda verdade está no Logos (Verbo), "que ilumina todo homem que vem a este mundo"
Cf. Apol II, 10: "Pois Ele é o Verbo, que está em todo homem"
2 - Toda verdade deve ser relacionada ao Logos
3 - Na filosofia grega, se conhecera e praticara a verdade
4 - Na filosofia grega estava presente, mesmo que de forma imperfeita e fragmentada, o Logos
a) Os germes do Logos e o Logos Integral
São Justino afirma que os filósofos antigos, como Platão e os estóicos, conheceram e praticaram a verdade. Por isso, tiveram parte no Logos, mas não o possuíram integralmente. O logos total encontramos em Cristo, mas naqueles filósofos somente em parte ou inicialmente.
1 - Os filósofos participam do Logos: todos os seus conhecimentos e descobertas eles os conquistaram por terem parte no Logos;
2 - Os filósofos não possuíram o Logos total: o que nos prova isso é o fato de que eles discordavam uns dos outros, visto que, cada um possuía uma parte do Logos e falava de acordo com ela. Esse Logos parcial Justino chama de "germe" ou semente do Logos, que, assim como afirmam os estóicos, está presente em todos os homens. Assim como a semente poderá germinar e dar frutos, o germe do Logos poderá levar os pagãos ao Logos integral manifestado em Cristo.
3 - Os filósofos participam tanto imediata como mediatamente no Logos:
Participação imediata: por uma iluminação do Logos, ou por uso da razão natural;
Participação mediata: por influência do Antigo Testamento. Justino trata um pouco disso em sua Primeira Apologia, mas cala-se na segunda, abandonando essa afirmação.
b) A filosofia cristã da história e o humanismo cristão
Jesus Cristo > é > Logos
Filósofos antigos > participam > Logos
então: Filósofos antigos = cristãos antes de Cristo
=
Levou Justino a traçar o primeiro esboço de uma filosofia da história e os fundamentos de um Humanismo Cristão.
LOGOS > Odiado pelos demônios
=
Herança dos homens que participam do Logos e fogem dos vícios
=
Causa da morte de filósofos como Heráclito e Sócrates
=
Atingiu seu auge na perseguição aos cristãos que participam do Logos total
LOGOS > Odiado pelos demônios
=
propagaram a mitologia pagã
=
para que os milagres de Cristo fossem acolhidos com ceticismo
Antigos filósofos = Cristãos
=
participaram do Logos
=
participaram do mesmo destino doloroso
=
por isso podem ser chamados de "cristãos antes de Cristo"
Existem duas maneiras de participar do Logos:
Participação Parcial: filósofos antigos
Participação Total: cristãos
Esses dois grupos de partícipe formam juntos a COMUNIDADE CRISTÃ, que sempre existiu no decorrer da história.
Assim, a História da Filosofia vai se unir à História do Cristianismo. Com Justino, então, vão surgir os primeiros sinais de uma filosofia da História que se desdobrará numa visão universal da História na "Cidade de Deus" de Santo Agostinho.
HERANÇA DE SÃO JUSTINO:
1 - deu domicílio à Filosofia no ceio do cristianismo
2 - elevou a Filosofia a um plano superior ao da pura razão
"Ninguém creu em Sócrates a ponto de dar a vida por sua doutrina, Quanto a Cristo, porém, a quem Sócrates já conheceu em partes (...), nele creem não só os filósofos e sábios, como também os artesãos e as pessoas simples, e isto com o mais perfeito desprezo às honrarias, ao temor e à morte. Pois ele é a força do Pai inefável, e não um vaso da razão humana" (São Justino)
Fonte da pesquisa: BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 2012. Pg 29 - 32
Fonte da pesquisa: BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 2012. Pg 29 - 32
