domingo, 3 de janeiro de 2016

São Justino, filósofo e mártir (II)

SÃO JUSTINO E O HUMANISMO CRISTÃO:  o Logos na filosofia grega

   A afirmação de Justino de que o cristianismo é a verdadeira filosofia, lhe trouce alguns problemas, não evitados pelo pensador:

Se o cristianismo é a verdadeira filosofia, o que dizer dos filósofos anteriores a Cristo? Iremos condená-los por não terem contato ou ignorado a revelação?

   Justino afirma que foram os mestres gregos que o haviam trazido às proximidades do cristianismo e defende que os mesmos merecem sim um lugar na religião de Cristo, visto que tiveram uma certa participação no Verbo. Assim, se torna fundador do Humanismo Cristão.

1 - Toda verdade está no Logos (Verbo), "que ilumina todo homem que vem a este mundo" 
Cf. Apol II, 10: "Pois Ele é o Verbo, que está em todo homem"
2 - Toda verdade deve ser relacionada ao Logos
3 - Na filosofia grega, se conhecera e praticara a verdade
4 - Na filosofia grega estava presente, mesmo que de forma imperfeita e fragmentada, o Logos


a) Os germes do Logos e o Logos Integral

   São Justino afirma que os filósofos antigos, como Platão e os estóicos, conheceram e praticaram a verdade. Por isso, tiveram parte no Logos, mas não o possuíram integralmente. O logos total encontramos em Cristo, mas naqueles filósofos somente em parte ou inicialmente.

1 - Os filósofos participam do Logos: todos os seus conhecimentos e descobertas eles os conquistaram por terem parte no Logos;
2 - Os filósofos não possuíram o Logos total: o que nos prova isso é o fato de que eles discordavam uns dos outros, visto que, cada um possuía uma parte do Logos e falava de acordo com ela. Esse Logos parcial Justino chama de "germe" ou semente do Logos, que, assim como afirmam os estóicos, está presente em todos os homens. Assim como a semente poderá germinar e dar frutos, o germe do Logos poderá levar os pagãos ao Logos integral manifestado em Cristo.
3 - Os filósofos participam tanto imediata como mediatamente no Logos: 
Participação imediata: por uma iluminação do Logos, ou por uso da razão natural;
Participação mediata: por influência do Antigo Testamento. Justino trata um pouco disso em sua Primeira Apologia, mas cala-se na segunda, abandonando essa afirmação.


b) A filosofia cristã da história e o humanismo cristão


Jesus Cristo > é > Logos
Filósofos antigos > participam > Logos
então: Filósofos antigos = cristãos antes de Cristo
=
Levou Justino a traçar o primeiro esboço de uma filosofia da história e os fundamentos de um Humanismo Cristão.



LOGOS   >   Odiado pelos demônios
=
Herança dos homens que participam do Logos e fogem dos vícios
=
Causa da morte de filósofos como Heráclito e Sócrates
=
Atingiu seu auge na perseguição aos cristãos que participam do Logos total



LOGOS   >   Odiado pelos demônios
=
propagaram a mitologia pagã
=
para que os milagres de Cristo fossem acolhidos com ceticismo



Antigos filósofos   =   Cristãos
=
participaram do Logos
=
participaram do mesmo destino doloroso
=
por isso podem ser chamados de "cristãos antes de Cristo"



Existem duas maneiras de participar do Logos:

Participação Parcial: filósofos antigos
Participação Total: cristãos

Esses dois grupos de partícipe formam juntos a COMUNIDADE CRISTÃ, que sempre existiu no decorrer da história.

   Assim, a História da Filosofia vai se unir à História do Cristianismo. Com Justino, então, vão surgir os primeiros sinais de uma filosofia da História que se desdobrará numa visão universal da História na "Cidade de Deus" de Santo Agostinho.




HERANÇA DE SÃO JUSTINO:

1 - deu domicílio à Filosofia no ceio do cristianismo
2 - elevou a Filosofia a um plano superior ao da pura razão

"Ninguém creu em Sócrates a ponto de dar a vida por sua doutrina, Quanto a Cristo, porém, a quem Sócrates já conheceu em partes (...), nele creem não só os filósofos e sábios, como também os artesãos e as pessoas simples, e isto com o mais perfeito desprezo às honrarias, ao temor e à morte. Pois ele é a força do Pai inefável, e não um vaso da razão humana" (São Justino)


Fonte da pesquisa: BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 2012. Pg 29 - 32

sábado, 2 de janeiro de 2016

São Justino, filósofo e mártir (I)



São Justino foi um dos grandes apologetas (utilizavam seus conhecimentos para defender a fé) cristãos, entre os pensadores antigos.
    Foi inicialmente pagão e, já adulto, converte-se ao cristianismo, não abandonando nunca a Filosofia. Para ele o pensamento filosófico é aquilo que nos conduz à Deus. O problema estava em qual caminho do pensamento humano seguir. 

FILOSOFIA    >   BUSCA PELA VERDADE
DEUS   >   É A VERDADE
então: FILOSOFIA   >   BUSCA DEUS (CONTEMPLAÇÃO DA VERDADE)

Mas qual o problema?

FILOSOFIA   >   BUSCA DEUS   =   MAS QUAL CAMINHO FILOSÓFICO SEGUIR?

a) Justino desilude-se com a Filosofia Grega:


    São Justino começa sua vida intelectual e permanece na filosofia platônica, mas logo vê que a filosofia grega não conseguia responder aos problemas mais essenciais do homem.
    Antes ainda de ter contato com o platonismo, teve um encontro com outras formas de pensar: estóicos, peripatéticos e pitagóricos. Se desilude com todas essas formas de pensar e volta-se finalmente para a filosofia platônica, onde permanece por um bom tempo de sua vida. 
    Assim como ocorre depois com Santo Agostinho, entusiasma-se pelo idealismo da especulação platônica e principalmente pela doutrina da existência de realidades incorpóreas, as idéias. Para Justino era certo que logo contemplaria Deus, fim último da filosofia de Platão.

FILOSOFIA > PLATÃO = BUSCA DA CONTEMPLAÇÃO DE DEUS = FELICIDADE

   São Justino então passa a viver isolado em um lugar à beira mar. Queria entregar-se à contemplação e meditação para conseguir chegar ao fim último da Filosofia, a saber, a contemplação de Deus.
   Nesse lugar ocorre um fato que mudrá sua história. Num determinado dia encontra-se com um ancião, o qual lhe questiona: o que entendes por Filosofia e Felicidade?

Respondeu Justino:

Filosofia = ciência do ser e o conhecimento da verdade
Felicidade = prêmio desta ciência e desta sabedoria 

Pergunta ainda o ancião: o que é Deus para você?

Novamente respondeu Justino:

Deus = é o que permanece invariavelmente idêntico e é a causa de todos os seres

   Essa resposta mostra como São Justino, nesse momento, já se distanciava muito dos pagãos. 

   O ancião continua a questionar Justino para fazer florescer um conhecimento já presente no seu interior: como podem os filósofos falarem de Deus se não possuem nenhum conhecimento dele, nem jamais o viram ou ouviram?

  Justino responde dizendo que, segundo Platão, temos um olho espiritual que nos capacita a contemplar, em si mesmo, aquele ser que é a causa de todas as coisas sensíveis e ainda afirma que existe um parentesco entre a alma e Deus. Para o homem conseguir chegar a essa contemplação, somente é possível por meio de uma purificação e posteriormente vivendo uma vida virtuosa.

   O ancião, por sua vez, refuta a ideia de que a alma possui parentesco com Deus, provando que não há nada de divino nela e muito menos que é formada por uma parte divina. Ele prova para Justino a incoerência dessa doutrina mostrando que a alma, assim como o mundo e o corpo, tem um início em sua existência e que não são imortais como Deus é. 

   São Justino então é forçado a admitir que seus mestres eram incapazes de conduzi-lo à verdade. E acaba questionando-se: quem poderá ser seu mestre? onde encontrar ajuda se nem esses homens sábios levaram-o à verdade?


b) São Justino descobre a verdadeira filosofia no cristianismo:

   A partir da certeza de que a alma não pode obter a visão de Deus enquanto permanecer no domínio meramente natural, acaba aceitando a religião que, não só promete conduzi-lo a Deus, mas que também lhe proporciona os meios para conseguir isso.
   O cristianismo cumpre com a finalidade de toda Filosofia, por isso ele é a "verdadeira filosofia".

CRISTIANISMO   >   NOS LEVA A CONTEMPLAR DEUS
FILOSOFIA   >   BUSCA DA VERDADE
DEUS   =   E A VERDADE


CRISTIANISMO   >   CONTEMPLA DEUS PARA ALCANÇAR A FELICIDADE
FILOSOFIA   >   CONTEMPLA A VERDADE PARA ALCANÇAR A FELICIDADE

então: CRISTIANISMO   É A VERDADEIRA FILOSOFIA

   São Justino manifesta ao ancião o desejo de saber onde se encontra o verdadeiro caminho que o levará a Deus. O ancião lhe indica as Sagradas Escrituras: escritas por homens inspirados pelo Espírito Santo, que contemplaram a verdade e anunciam-na sem temor e sem ambições terrenas, sendo testemunhos oculares da verdade, e por isso exigem  fé, visto que, não trazem argumentos. 
   Justino entende ainda que o meio para se chegar à contemplação da verdade necessita de muita oração, para que a luz da verdade se abra,  pois só contempla aquele que Deus e seu Cristo conferem a inteligência necessária. 
   Ele apaixona-se pelo cristianismo se tornando cristão e diz que é assim que se tornou um verdadeiro filósofo, contemplando a verdade suprema que é Deus.

c) São Justino refunde o conceito de Filosofia:


"EIS PORQUE  COMO ME TORNEI UM VERDADEIRO FILÓSOFO"
                                                          =
TRANSFORMAÇÃO COMPLETA DO CONCEITO DE FILOSOFIA
                                                          = 
PASSA DAS MÃOS DOS GREGOS PARA AS MÃOS DOS CRISTÃOS


   Para Justino, os problemas levantados pela sabedoria grega são os mesmos respondidos pelo cristianismo.


FILÓSOFOS + CRISTÃOS = BUSCAM DEUS E ASPIRAM À UNIÃO DA ALMA COM ELE


   A filosofia grega, ao buscar um objetivo religioso, cria para si um problema irresolvível, pois está alem das forças da razão humana. Para esse tipo de problema pode haver duas soluções para a Filosofia:

1 - ou fica somente ligada a um objetivo que lhe é acessível, o qual não poderá ser de natureza religiosa;

2 - ou seu objetivo se transforma em uma realidade propriamente religiosa e, nesse caso, deverá transcender a filosofia natural adotando a religião cristã, a qual tomará assim o nome de "Filosofia".

   Para Justino isso prova que o cristianismo é  verdadeira filosofia e que, pela conversão, ele se tornou um verdadeiro filósofo, a saber, o fato de que é a fé cristã que permite a razão alcançar as verdades mais imprescindíveis. 
   Além disso, as verdades cristãs nos trazem a graça divina, tornando-se, não só a filosofia plena, mas também caminho de salvação, graças às mudanças que incutem na vida daquele que nelas se aprofundam.





Fonte da pesquisa: BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. 13 ed. Petrópolis: Vozes, 2012. Pg 26 - 28

Introdução

A Paz de Cristo Jesus esteja com todos vocês meus irmãos!

Estarei iniciando nesse espaço uma série de textos, de minha autoria, onde irei tratar acerca da Filosofia Cristã: pensamentos, desenvolvimento de ideias, correntes filosóficas, vida, obra e pensamento dos principais filósofos cristãos da história.
Na realidade estarei publicando aqui resumos dos estudos realizados por mim, compartilhando assim tudo o que localizo nas bibliografias pesquisadas sobre esse tema.

Que possamos degustar essas informações, para a maior glória de Deus!


domingo, 27 de dezembro de 2015

Homilia do Papa no Jubileu das Famílias - 27/12/15

brasão do Papa Francisco
HOMILIA
Santa Missa na Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José e pelo Jubileu das Famílias
Basílica Vaticana
Domingo, 27 de dezembro de 2015
Boletim da Santa Sé
As leituras bíblicas, que acabamos de ouvir, apresentam-nos a imagem de duas famílias que realizam a sua peregrinação à casa de Deus. Elcana e Ana levam o filho Samuel ao templo de Silo e consagram-no ao Senhor (cf. 1 Sm 1, 20-22.24-28). E da mesma forma José e Maria, juntamente com Jesus, vão como peregrinos a Jerusalém pela festa da Páscoa (cf. Lc 2, 41-52).
Muitas vezes os nossos olhos deparam com os peregrinos que vão a santuários e lugares queridos da devoção popular. Mesmo nestes dias, há muitos que se puseram a caminho para penetrar na Porta Santa aberta em todas as catedrais do mundo e também em muitos santuários. Mas o fato mais interessante posto em evidência pela Palavra de Deus é a peregrinação ser feita pela família inteira: pai, mãe e filhos vão, todos juntos, à casa do Senhor a fim de santificar a festa pela oração. É uma lição importante oferecida também às nossas famílias. Antes, podemos dizer que a vida das família é um conjunto de pequenas e grandes peregrinações.
Por exemplo, como nos faz bem pensar que Maria e José ensinaram Jesus a rezar as orações! E esta é uma peregrinação, a peregrinação da educação à oração. E como nos faz bem saber que, durante o dia, rezavam juntos; depois, ao sábado, iam juntos à sinagoga ouvir as Sagradas Escrituras da Lei e dos Profetas e louvar o Senhor com todo o povo! E que certamente rezaram, durante a peregrinação para Jerusalém, cantando estas palavras do Salmo: «Que alegria, quando me disseram: “Vamos para a casa do Senhor!” Os nossos passos detêm-se às tuas portas, ó Jerusalém» (122/121, 1-2)!
Como é importante, para as nossas famílias, caminhar juntos e ter a mesma meta em vista! Sabemos que temos um percurso comum a realizar; uma estrada, onde encontramos dificuldades, mas também momentos de alegria e consolação. Nesta peregrinação da vida, partilhamos também os momentos da oração. Que poderá haver de mais belo, para um pai e uma mãe, do que abençoar os seus filhos ao início do dia e na sua conclusão? Fazer na sua fronte o sinal da cruz, como no dia do Batismo? Não será esta, porventura, a oração mais simples que os pais fazem pelos seus filhos? Abençoá-los, isto é, confiá-los ao Senhor, como fizeram Elcana e Ana, José e Maria, para que seja Ele a sua proteção e amparo nos vários momentos do dia? Como é importante, para a família, encontrar-se também para um breve momento de oração antes de tomar as refeições juntos, a fim de agradecer ao Senhor por estes dons e aprender a partilhar o que se recebeu com quem está mais necessitado. Trata-se sempre de pequenos gestos, mas expressam o grande papel formativo que a família possui na peregrinação de todos os dias.
No final daquela peregrinação, Jesus voltou para Nazaré e era submisso a seus pais (cf. Lc 2, 51). Também esta imagem contém um ensinamento estupendo para as nossas famílias; é que a peregrinação não termina quando se alcança a meta do santuário, mas quando se volta para casa e se retoma a vida de todos os dias, fazendo valer os frutos espirituais da experiência vivida. Sabemos o que Jesus então fizera: em vez de voltar para casa com os seus, ficou em Jerusalém no Templo, causando uma grande aflição a Maria e a José que não O encontravam. Provavelmente, por esta sua «escapadela», também Jesus teve que pedir desculpa a seus pais (o Evangelho não diz, mas acho que podemos supô-lo). Aliás, na pergunta de Maria, subjaz de certo modo uma repreensão, ressaltando a preocupação e angústia dela e de José. No regresso a casa, com certeza Jesus uniu-se estreitamente a eles, para lhes demonstrar toda a sua afeição e obediência. Fazem parte da peregrinação da família também estes momentos que, com o Senhor, se transformam em oportunidade de crescimento, em ocasião de pedir perdão e de recebê-lo e de mostrar amor e obediência.
No Ano da Misericórdia, possa cada família cristã tornar-se um lugar privilegiado desta peregrinação em que se experimenta a alegria do perdão. O perdão é a essência do amor, que sabe compreender o erro e pôr-lhe remédio. Pobres de nós se Deus não nos perdoasse! É no seio da família que as pessoas são educadas para o perdão, porque se tem a certeza de ser compreendidas e amparadas, não obstante os erros que se possam cometer.
Não percamos a confiança na família! É bom abrir sempre o coração uns aos outros, sem nada esconder. Onde há amor, também há compreensão e perdão. A vós todas, queridas famílias, confio esta peregrinação doméstica de todos os dias, esta missão tão importante de que, hoje, o mundo e a Igreja têm mais necessidade do que nunca.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

MEUS SONHOS DE NATAL

Boa tarde meus irmãos!
Feliz Natal a todos! 
Para inspirarmos no verdadeiro sentido da festa que celebramos hoje, do Santo Natal, publico uma mensagem de meu tio Monsenhor Elcy Arboitte, onde ele nos fala dos Sonhos de Natal!
Nasceu entre nós o Salvador, que é o Cristo Senhor, aleluiaaa! 

MEUS SONHOS DE NATAL
Eu sonho com um Natal capaz de iluminar o mundo pela luz de Jesus, a mesma que iluminou a noite do seu nascimento, luz feita de paz anunciada pelos anjos aos pastores de Belém.
Eu sonho com um Natal onde a presença de Jesus, na ternura de uma criança, seja a centralidade de toda celebração, a causa de toda a alegria e a festa da família.
Eu sonho com um Natal feito, nem tanto de presentes, mas de presenças familiares, pelo abraço do perdão, pelo ósculo do amor, pela esperança da unidade restabelecida.
Eu sonho com um Natal, prefigurado na partilha concretizada pelos Pastores, do que eles eram e do que eles tinham para que não faltasse nada àquela família de peregrinos, vindos de Nazaré.
Eu sonho com um Natal feito de Esperança atualizada, quando a Fé e o Amor se estabelecerem definitivamente construindo a harmonia, a igualdade; fartando as mesas de pão, as almas de paz e a riqueza da humanidade partilhada entre todos sem acúmulos de poucos.
Eu sonho com um Natal cristão, despojado do mercantilismo que faz esquecer Jesus, do consumismo que despoja a fé, dos roubos que empobrecem a nação, da imoralidade que enfraquece a família, do ódio que ceifa a vida, das drogas que acorrentam a liberdade, da depressão que faz murchar a existência humana.
Meu sonho de Natal vem impregnado da ternura de minha mãe quando me deu à luz, nos seus afetos quando me acalmava o choro, na oferta de seus seios quando me assaltava a fome, no acalento do seu colo quando me custava o sono.
Meu Natal, a cada dia 25 de dezembro, é assim! Como é o seu?

(Monsenhor Elcy Arboitte, Diocese de Cachoeira do Sul-RS)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Discurso do Papa à Cúria Romana para as felicitações de Natal

brasão do Papa Francisco
DISCURSO
Encontro do Papa Francisco com a Cúria Romana para as felicitações de Natal
Sala Clementina – Vaticano
Segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Rádio Vaticano
Queridos irmãos e irmãs!
Com alegria, vos dirijo os meus votos mais cordiais de um santo Natal e feliz Ano Novo, que estendo a todos os colaboradores, aos Representantes Pontifícios e de modo particular àqueles que, tendo chegado à idade da reforma durante este ano, terminaram o seu serviço. Recordamos também as pessoas que foram chamadas à presença de Deus. Para vós todos e vossos familiares, a minha estima e gratidão.
No meu primeiro encontro convosco, em 2013, quis salientar dois aspectos importantes e inseparáveis do trabalho curial: o profissionalismo e o serviço, apontando a figura de São José como modelo a imitar. Ao passo que no ano passado, a fim de nos prepararmos para o sacramento da Reconciliação, abordámos algumas tentações e «doenças» – o «catálogo das doenças curiais» – que poderiam afectar cada cristão, cúria, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial; doenças, que requerem prevenção, vigilância, cuidado e, em alguns casos infelizmente, intervenções dolorosas e prolongadas.
Algumas dessas doenças manifestaram-se no decurso deste ano, causando não pouco sofrimento a todo o corpo e ferindo muitas almas.
Forçoso é dizer que isto foi – e sê-lo-á sempre – objecto de sincera reflexão e de medidas decisivas. A reforma prosseguirá com determinação, lucidez e ardor, porque Ecclesia semper reformanda.
Entretanto nem as doenças nem mesmo os escândalos poderão esconder a eficiência dos serviços que a Cúria Romana presta ao Papa e à Igreja inteira, com desvelo, responsabilidade, empenho e dedicação, sendo isso motivo de verdadeira consolação. Santo Inácio ensinava que «é próprio do espírito mau vexar, contristar, colocar dificuldades e turbar com falsas razões, para impedir de avançar; ao contrário, é próprio do espírito bom dar coragem e energias, consolações e lágrimas, inspiração e serenidade, diminuindo e removendo qualquer dificuldade, para avançar no caminho do bem».[1]
Seria grande injustiça não expressar sentida gratidão e o devido encorajamento a todas as pessoas sãs e honestas que trabalham com dedicação, lealdade, fidelidade e profissionalismo, oferecendo à Igreja e ao Sucessor de Pedro o conforto da sua solidariedade e obediência bem como das suas generosas orações.
Além disso, as próprias resistências, fadigas e quedas das pessoas e dos ministros constituem lições e oportunidades de crescimento, e nunca de desânimo. São oportunidade para «voltar ao essencial», que significa avaliar a consciência que temos de nós mesmos, de Deus, do próximo, do sensus Ecclesiae e do sensus fidei.
É deste «voltar ao essencial» que vos quero falar hoje, nos inícios da peregrinação do Ano Santo da Misericórdia, aberto pela Igreja há poucos dias e que constitui para ela e para todos nós um forte apelo à gratidão, à conversão, à renovação, à penitência e à reconciliação.
Na realidade, segundo diz Santo Agostinho de Hipona, o Natal é a festa da Misericórdia infinita de Deus: «Podia haver, para infelizes como nós, maior misericórdia do que aquela que induziu o Criador do céu a descer do céu e o Criador da terra a revestir-se dum corpo mortal? Aquela mesma misericórdia induziu de tal modo o Senhor do mundo a revestir-Se da natureza de servo, que embora sendo pão tivesse fome, embora sendo a saciação tivesse sede, embora sendo a força Se tornasse fraco, embora sendo a salvação fosse ferido, embora sendo vida pudesse morrer. E tudo isto para saciar a nossa fome, aliviar a nossa secura, reforçar a nossa fraqueza, apagar a nossa iniquidade, acender a nossa caridade».[2]
Por isso, no contexto deste Ano da Misericórdia e da preparação para o santo Natal, já à porta, quero apresentar-vos um instrumento prático para se poder viver frutuosamente este tempo de graça. Trata-se de um não-exaustivo «catálogo das virtudes necessárias», para quem presta serviço na Cúria e para todos aqueles que querem tornar fecunda a sua consagração ou o seu serviço à Igreja.
Convido os Responsáveis dos Dicastérios e os Superiores a aprofundá-lo, enriquecê-lo e completá-lo. É um elenco em acróstico que toma por base de análise precisamente a palavra «misericórdia», fazendo dela o nosso guia e o nosso farol:
1. Missionariedade e pastoreação. A missionariedade é aquilo que torna, e mostra, a Cúria fértil e fecunda; é a prova da eficácia, eficiência e autenticidade do nosso trabalho. A fé é um dom, mas a medida da nossa fé prova-se também pelo modo como somos capazes de a comunicar.[3] Cada baptizado é missionário da Boa Nova primariamente com a sua vida, o seu trabalho e o seu testemunho jubiloso e convincente. Uma pastoreação sã é virtude indispensável especialmente para cada sacerdote. É o compromisso diário de seguir o Bom Pastor que cuida das suas ovelhas e dá a sua vida para salvar a vida dos outros. É a medida da nossa actividade curial e sacerdotal. Sem estas duas asas nunca poderemos voar, nem alcançar a bem-aventurança do «servo fiel» (cf. Mt 25, 14-30).
2. Idoneidade e sagácia. A idoneidade requer o esforço pessoal por adquirir os requisitos necessários para se exercer da melhor maneira as próprias tarefas e actividades, com inteligência e intuição. É contra recomendações e subornos. A sagácia é a prontidão de mente para compreender e enfrentar as situações com sabedoria e criatividade. Idoneidade e sagácia constituem também a resposta humana à graça divina, quando cada um de nós segue esta famosa sentença: «Fazer tudo como se Deus não existisse e, depois, deixar tudo a Deus como se eu não existisse». É o comportamento do discípulo que, diariamente, se dirige ao Senhor com estas palavras duma belíssima Oração Universal atribuída ao Papa Clemente XI: «Guiai-me com a vossa sabedoria, governai-me com a vossa justiça, encorajai-me com a vossa bondade, protegei-me com o vosso poder. Ofereço-Vos, ó Senhor, os pensamentos, para que estejam fixos em Vós; as palavras, para que sejam vossas; as acções, para que sejam segundo o vosso querer; as tribulações, para que as sofra por Vós».[4]
3. ESpiritualidade e humanidade. A espiritualidade é a coluna sustentáculo de qualquer serviço na Igreja e na vida cristã. É aquilo que nutre toda a nossa actividade, sustenta-a e protege-a da fragilidade humana e das tentações diárias. A humanidade é o que encarna a veridicidade da nossa fé. Quem renúncia à sua humanidade, renuncia a tudo. É a humanidade que nos torna diferentes das máquinas e dos robôs que não sentem nem se comovem. Quando temos dificuldade em chorar a sério ou rir com paixão, então começou o nosso declínio e o nosso processo de transformação de «homens» noutra coisa qualquer. A humanidade é saber mostrar ternura, familiaridade e gentileza com todos (cf. Flp 4, 5). A espiritualidade e a humanidade, embora qualidades inatas, não deixam de ser potencialidades que carecem de realização integral, progressivo desenvolvimento e prática diária.
4. Exemplaridade e fidelidade. O Beato Paulo VI recordou à Cúria «a sua vocação à exemplaridade».[5] Exemplaridade para evitar os escândalos que ferem as almas e ameaçam a credibilidade do nosso testemunho. Fidelidade à nossa consagração, à nossa vocação, lembrando-nos sempre das palavras de Cristo: «quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco, também é infiel no muito» (Lc 16, 10) e «se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo» (Mt 18, 6-7).
5. Racionalidade e amabilidade. A racionalidade serve para evitar os excessos emocionais e a amabilidade para evitar os excessos da burocracia e das programações e planificações. São dotes necessários para o equilíbrio da personalidade: «O inimigo observa bem se uma alma é rude ou delicada; se é delicada, procura torná-la delicada até ao excesso, para depois mais a angustiar e confundir».[6] Todo o excesso é indício de qualquer desequilíbrio.
6. Inocuidade e determinação. A inocuidade, que nos torna cautelosos no juízo, capazes de nos abstermos de acções impulsivas e precipitadas. É a capacidade de fazer emergir o melhor de nós mesmos, dos outros e das situações, agindo com cuidado e compreensão. É fazer aos outros aquilo que querias que fosse feito a ti (cf. Mt 7, 12; Lc 6, 31). A determinação é o agir com vontade decidida, visão clara e obediência a Deus e somente pela lei suprema da salus animarum (cf. CIC, cân. 1725).
7. Caridade e verdade. Duas virtudes indissolúveis da vida cristã: «testemunhar a verdade na caridade e viver a caridade na verdade» (cf. Ef 4, 15).[7] De contrário, a caridade sem verdade torna-se ideologia da bonacheirice destrutiva e a verdade sem caridade torna-se justicialismo cego.
8. HOnestidade e maturidade. A honestidade é a rectidão, a coerência e o agir com absoluta sinceridade connosco mesmos e com Deus. Quem é honesto não age rectamente apenas sob o olhar do supervisor ou do superior; o honesto não teme ser apanhado de surpresa, porque nunca engana a quem se fia dele. O honesto nunca domina sobre as pessoas ou sobre as coisas que lhe foram confiadas em administração, como o «servo mau» (Mt 24, 48). A honestidade é a base sobre a qual assentam todas as outras qualidades. Maturidade é o esforço para alcançar a harmonia entre as nossas capacidades físicas, psíquicas e espirituais. É a meta e o bom êxito dum processo de desenvolvimento que não termina jamais nem depende da idade que temos.
9. Respeito e humildade. O respeito é dote das almas nobres e delicadas; das pessoas que procuram sempre ter em justa consideração os outros, a sua função, os superiores e os subordinados, os problemas, os documentos, o segredo e a confidencialidade; das pessoas que sabem ouvir atentamente e falar educadamente. A humildade, por sua vez, é a virtude dos santos e das pessoas cheias de Deus, que quanto mais sobem de importância tanto mais cresce nelas a consciência de nada serem e de nada poderem fazer sem a graça de Deus (cf. Jo 15, 8).
10. Dadivoso e atento. Quanto maior confiança tivermos em Deus e na sua providência, tanto mais seremos dadivosos de alma e mais seremos mãos abertas para dar, sabendo que quanto mais se dá, mais se recebe. Na realidade, é inútil abrir todas as Portas Santas de todas as basílicas do mundo, se a porta do nosso coração está fechada ao amor, se as nossas mãos estão fechadas para dar, se as nossas casas estão fechadas para hospedar e se as nossas igrejas estão fechadas para acolher. A atenção é o cuidado dos detalhes e a oferta do melhor de nós mesmos sem nunca cessar de vigiar sobre os nossos vícios e faltas. São Vicente de Paulo rezava assim: «Senhor, ajudai-me a dar-me conta, imediatamente, daqueles que estão ao meu lado, daqueles que vivem preocupados e desorientados, daqueles que sofrem sem o manifestar, daqueles que se sentem isolados, sem o querer».
11. Impavidez e prontidão. Ser impávido significa não se deixar amedrontar perante as dificuldades, como Daniel na cova dos leões, como David diante de Golias; significa agir com audácia e determinação e sem indolência «como bom soldado» (2 Tm 2, 3-4); significa saber dar o primeiro passo sem demora, como Abraão e como Maria. Por sua vez, a prontidão é saber actuar com liberdade e agilidade, sem apegar-se às coisas materiais que passam. Diz o salmo: «Se as vossas riquezas crescerem, não lhes entregueis o coração» (Sal 62/61, 11). Estar pronto significa estar sempre a caminho, sem jamais se sobrecarregar acumulando coisas inúteis e fechando-se nos próprios projectos, nem se deixar dominar pela ambição.
12. FiAbilidade e sobriedade. Fiável é aquele que sabe manter os compromissos com seriedade e atendibilidade quando está a ser observado mas sobretudo quando está sozinho; é aquele que ao seu redor irradia uma sensação de tranquilidade, porque nunca atraiçoa a confiança que lhe foi concedida. A sobriedade – última virtude deste elenco mas não na importância – é a capacidade de renunciar ao supérfluo e resistir â lógica consumista dominante. A sobriedade é prudência, simplicidade, essencialidade, equilíbrio e temperança. A sobriedade é contemplar o mundo com os olhos de Deus e com o olhar dos pobres e do lado dos pobres. A sobriedade é um estilo de vida,[8] que indica o primado do outro como princípio hierárquico e manifesta a existência como solicitude e serviço aos outros. Quem é sóbrio é uma pessoa coerente e essencial em tudo, porque sabe reduzir, recuperar, reciclar, reparar e viver com o sentido de medida.
Queridos irmãos!
A misericórdia não é um sentimento passageiro, mas é a síntese da Boa Nova, é a opção de quem quer ter os sentimentos do «Coração de Jesus»,[9] de quem seriamente quer seguir o Senhor que nos pede: «Sede misericordiosos como o vosso Pai» (Lc 6, 36; cf. Mt 5, 48). Afirma o padre Hermes Ronchi: «Misericórdia é escândalo para a justiça, loucura para a inteligência, consolação para nós, devedores. A dívida de existir, a dívida de ser amados, só se paga com a misericórdia».
Concluindo, seja a misericórdia a guiar os nossos passos, a inspirar as nossas reformas, a iluminar as nossas decisões; seja ela a coluna sustentáculo do nosso agir; seja ela a ensinar-nos quando devemos avançar e quando devemos recuar um passo; seja ela a fazer-nos ler a pequenez das nossas acções no grande projecto de salvação de Deus e na majestade misteriosa da sua obra.
Para nos ajudar a compreender isto, deixemo-nos encantar por esta estupenda oração, vulgarmente atribuída ao Beato Óscar Arnulfo Romero mas pronunciada pela primeira vez pelo Cardeal John Dearden:
«De vez em quando ajuda-nos recuar um passo e ver de longe.
O Reino não está apenas para além dos nossos esforços,
está também para além das nossas visões.
Na nossa vida, conseguimos cumprir apenas uma pequena parte
daquele maravilhoso empreendimento que é a obra de Deus.
Nada daquilo que fazemos está completo.
Isto quer dizer que o Reino está mais além de nós mesmos.
Nenhuma afirmação diz tudo o que se pode dizer.
Nenhuma oração exprime completamente a fé.
Nenhum credo contém a perfeição.
Nenhuma visita pastoral traz consigo todas as soluções.
Nenhum programa cumpre plenamente a missão da Igreja.
Nenhuma meta ou objectivo atinge a dimensão completa.
Disto se trata:
plantamos sementes que um dia nascerão.
Regamos sementes já plantadas,
sabendo que outros as guardarão.
Pomos as bases de algo que se desenvolverá.
Pomos o fermento que multiplicará as nossas capacidades.
Não podemos fazer tudo,
mas dá uma sensação de libertação iniciá-lo.
Dá-nos a força de fazer qualquer coisa e fazê-la bem.
Pode ficar incompleto, mas é um início, o passo dum caminho.
Uma oportunidade para que a graça de Deus entre
e faça o resto.
Pode acontecer que nunca vejamos a sua perfeição,
mas esta é a diferença entre o mestre de obras e o trabalhador.
Somos trabalhadores, não mestres de obras,
servidores, não messias.
Somos profetas de um futuro que não nos pertence».
[1] Exercícios Espirituais, 315.
[2] Cf. Serm. 207, 1: NBA, XXXII/1, 148s.
[3] «A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os “confins” da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé» (Mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2013, 2).
[4] Missale Romanum, 2002.
[5] Discurso à Cúria Romana, 21 de Setembro de 1963: AAS 55 (1963), 793-800.
[6] Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais, 349.
[7] «A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. (…) É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta» (Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 29 de Junho de 2009, 1: AAS 101 (2009), 641), por isso é preciso «conjugar a caridade com a verdade, não só na direcção assinalada por S. Paulo da “veritas in caritate” (Ef 4, 15), mas também na direcção inversa e complementar da “caritas in veritate”. A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na “economia” da caridade, mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade» (Ibid., 2).
[8] Um estilo de vida caracterizado pela sobriedade restitui ao homem aquele «comportamento desinteressado, gratuito, estético que brota do assombro diante do ser e da beleza, que leva a ler, nas coisas visíveis, a mensagem do Deus invisível que as criou» (João Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 37; cf. AA.VV., Nuovi stili di vita nel tempo della globalizzazione, Fond. «Apostolicam Actuositatem», Roma 2002).
[9] São João Paulo II disse no «Angelus» de 9 de Julho de 1989: «A expressão “Coração de Jesus” traz de imediato à mente a humanidade de Cristo, e ressalta-lhe a riqueza dos sentimentos, a compaixão para com os enfermos; a predilecção pelos pobres; a misericórdia para com os pecadores; a ternura para com as crianças; a fortaleza na denúncia da hipocrisia, do orgulho e da violência; a mansidão diante dos opositores; o zelo pela glória do Pai e o júbilo pelos seus misteriosos e providentes desígnios de graça (…) recorda depois la tristeza de Cristo pela traição de Judas, o abatimento por causa da solidão, a angústia diante da morte, o abandono filial e obediente nas mãos do Pai. E fala sobretudo do amor que sem cessar brota do seu íntimo: amor infinito para com o Pai e amor sem limites pelo homem».

Como surgiu o costume de montar presépios no Natal?

Para que todos nós cristãos possamos realmente sentir o significado do Presépio do Natal, conhecendo a história do mesmo, publico aqui um artigo onde é contado à nós como surgiu esse costume abençoado por Deus!



FONTE: http://www.arautos.org/artigo/21931/O-primeiro-presepio-da-Historia.html, 10:02, 24/12/2015


O primeiro presépio da História
Victor Toniolo - 2015/12/23

Como surgiu o piedoso costume de montar presépios por ocasião do Natal?
Corria o ano de 1223. A neve cobria com seu alvo manto a pequenina cidade de Greccio, no centro-sul da Itália. Os sinos repicavam festivamente, anunciando a noite de Natal.
Todos os habitantes, camponeses em sua maioria, encontravam-se reunidos em torno de São Francisco de Assis, que procurava explicar- lhes o mistério do nascimento do Menino-Deus. Eles ouviam com respeito, mas... não davam mostras de terem realmente compreendido. O que fazer?
São Francisco procurou um modo mais didático de explicar aos iletrados aldeões a história do Natal. Mandou trazerem-lhe uma imagem do Menino Jesus, uma manjedoura, palhas, um boi e um burro. Os campônios entreolharam-se, surpresos, mas providenciaram tudo sem demora.
Em pouco tempo, o Santo compôs a cena: no centro, a manjedoura com as palhas; no fundo, os dois pacíficos animais. Faltava apenas a imagem do Menino Jesus. Com grande devoção, São Francisco tomou- a nos braços, para depositá-la na manjedoura.
Dá-se então um grande prodígio! Ante os olhos maravilhados de todos, a imagem toma vida e o Menino sorri para São Francisco. Este abraça ternamente o Divino Infante e O deita sobre as palhas da manjedoura, enquanto todos se ajoelham em atitude de enlevada adoração.
O Menino-Deus sorri uma vez mais e abençoa aqueles camponeses ali prostrados a seus pés.
Poucos instantes depois, havia sobre as palhas uma simples imagem inanimada... Mas na alma de todos permaneceu a recordação viva do Menino Jesus. Ele lhes havia sorrido!
A partir de então, o povo de Greccio montava todos os anos o “presépio de São Francisco”, na cândida esperança de que o  milagre se renovasse. Não foram iludidos em sua esperança. Embora a imagem não mais tomasse vida, a Virgem Maria lhes falava especialmente à alma nessas ocasiões, com graças sensíveis.
Que graças? As graças próprias à Liturgia do Natal.
Só para os aldeões de Greccio? Não! Em todos os presépios do mundo está presente o Menino Jesus — com Maria, sua Mãe, e São José — à espera apenas de que nos acerquemos para, também nós, recebermos um sorriso e uma bênção. É justamente por este motivo que se espalhou por todo o universo católico o costume de montar presépios por ocasião do Natal.

Faça, leitor, como os habitantes de Greccio. Ajoelhe-se piedosamente diante do Menino Jesus no presépio e, por intercessão da Virgem Maria, peça para si e para todos os seus entes queridos esse sorriso que comunica felicidade, essa bênção que transmite paz. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2003, n. 24, p. 50-51)