domingo, 27 de dezembro de 2015

Homilia do Papa no Jubileu das Famílias - 27/12/15

brasão do Papa Francisco
HOMILIA
Santa Missa na Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José e pelo Jubileu das Famílias
Basílica Vaticana
Domingo, 27 de dezembro de 2015
Boletim da Santa Sé
As leituras bíblicas, que acabamos de ouvir, apresentam-nos a imagem de duas famílias que realizam a sua peregrinação à casa de Deus. Elcana e Ana levam o filho Samuel ao templo de Silo e consagram-no ao Senhor (cf. 1 Sm 1, 20-22.24-28). E da mesma forma José e Maria, juntamente com Jesus, vão como peregrinos a Jerusalém pela festa da Páscoa (cf. Lc 2, 41-52).
Muitas vezes os nossos olhos deparam com os peregrinos que vão a santuários e lugares queridos da devoção popular. Mesmo nestes dias, há muitos que se puseram a caminho para penetrar na Porta Santa aberta em todas as catedrais do mundo e também em muitos santuários. Mas o fato mais interessante posto em evidência pela Palavra de Deus é a peregrinação ser feita pela família inteira: pai, mãe e filhos vão, todos juntos, à casa do Senhor a fim de santificar a festa pela oração. É uma lição importante oferecida também às nossas famílias. Antes, podemos dizer que a vida das família é um conjunto de pequenas e grandes peregrinações.
Por exemplo, como nos faz bem pensar que Maria e José ensinaram Jesus a rezar as orações! E esta é uma peregrinação, a peregrinação da educação à oração. E como nos faz bem saber que, durante o dia, rezavam juntos; depois, ao sábado, iam juntos à sinagoga ouvir as Sagradas Escrituras da Lei e dos Profetas e louvar o Senhor com todo o povo! E que certamente rezaram, durante a peregrinação para Jerusalém, cantando estas palavras do Salmo: «Que alegria, quando me disseram: “Vamos para a casa do Senhor!” Os nossos passos detêm-se às tuas portas, ó Jerusalém» (122/121, 1-2)!
Como é importante, para as nossas famílias, caminhar juntos e ter a mesma meta em vista! Sabemos que temos um percurso comum a realizar; uma estrada, onde encontramos dificuldades, mas também momentos de alegria e consolação. Nesta peregrinação da vida, partilhamos também os momentos da oração. Que poderá haver de mais belo, para um pai e uma mãe, do que abençoar os seus filhos ao início do dia e na sua conclusão? Fazer na sua fronte o sinal da cruz, como no dia do Batismo? Não será esta, porventura, a oração mais simples que os pais fazem pelos seus filhos? Abençoá-los, isto é, confiá-los ao Senhor, como fizeram Elcana e Ana, José e Maria, para que seja Ele a sua proteção e amparo nos vários momentos do dia? Como é importante, para a família, encontrar-se também para um breve momento de oração antes de tomar as refeições juntos, a fim de agradecer ao Senhor por estes dons e aprender a partilhar o que se recebeu com quem está mais necessitado. Trata-se sempre de pequenos gestos, mas expressam o grande papel formativo que a família possui na peregrinação de todos os dias.
No final daquela peregrinação, Jesus voltou para Nazaré e era submisso a seus pais (cf. Lc 2, 51). Também esta imagem contém um ensinamento estupendo para as nossas famílias; é que a peregrinação não termina quando se alcança a meta do santuário, mas quando se volta para casa e se retoma a vida de todos os dias, fazendo valer os frutos espirituais da experiência vivida. Sabemos o que Jesus então fizera: em vez de voltar para casa com os seus, ficou em Jerusalém no Templo, causando uma grande aflição a Maria e a José que não O encontravam. Provavelmente, por esta sua «escapadela», também Jesus teve que pedir desculpa a seus pais (o Evangelho não diz, mas acho que podemos supô-lo). Aliás, na pergunta de Maria, subjaz de certo modo uma repreensão, ressaltando a preocupação e angústia dela e de José. No regresso a casa, com certeza Jesus uniu-se estreitamente a eles, para lhes demonstrar toda a sua afeição e obediência. Fazem parte da peregrinação da família também estes momentos que, com o Senhor, se transformam em oportunidade de crescimento, em ocasião de pedir perdão e de recebê-lo e de mostrar amor e obediência.
No Ano da Misericórdia, possa cada família cristã tornar-se um lugar privilegiado desta peregrinação em que se experimenta a alegria do perdão. O perdão é a essência do amor, que sabe compreender o erro e pôr-lhe remédio. Pobres de nós se Deus não nos perdoasse! É no seio da família que as pessoas são educadas para o perdão, porque se tem a certeza de ser compreendidas e amparadas, não obstante os erros que se possam cometer.
Não percamos a confiança na família! É bom abrir sempre o coração uns aos outros, sem nada esconder. Onde há amor, também há compreensão e perdão. A vós todas, queridas famílias, confio esta peregrinação doméstica de todos os dias, esta missão tão importante de que, hoje, o mundo e a Igreja têm mais necessidade do que nunca.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

MEUS SONHOS DE NATAL

Boa tarde meus irmãos!
Feliz Natal a todos! 
Para inspirarmos no verdadeiro sentido da festa que celebramos hoje, do Santo Natal, publico uma mensagem de meu tio Monsenhor Elcy Arboitte, onde ele nos fala dos Sonhos de Natal!
Nasceu entre nós o Salvador, que é o Cristo Senhor, aleluiaaa! 

MEUS SONHOS DE NATAL
Eu sonho com um Natal capaz de iluminar o mundo pela luz de Jesus, a mesma que iluminou a noite do seu nascimento, luz feita de paz anunciada pelos anjos aos pastores de Belém.
Eu sonho com um Natal onde a presença de Jesus, na ternura de uma criança, seja a centralidade de toda celebração, a causa de toda a alegria e a festa da família.
Eu sonho com um Natal feito, nem tanto de presentes, mas de presenças familiares, pelo abraço do perdão, pelo ósculo do amor, pela esperança da unidade restabelecida.
Eu sonho com um Natal, prefigurado na partilha concretizada pelos Pastores, do que eles eram e do que eles tinham para que não faltasse nada àquela família de peregrinos, vindos de Nazaré.
Eu sonho com um Natal feito de Esperança atualizada, quando a Fé e o Amor se estabelecerem definitivamente construindo a harmonia, a igualdade; fartando as mesas de pão, as almas de paz e a riqueza da humanidade partilhada entre todos sem acúmulos de poucos.
Eu sonho com um Natal cristão, despojado do mercantilismo que faz esquecer Jesus, do consumismo que despoja a fé, dos roubos que empobrecem a nação, da imoralidade que enfraquece a família, do ódio que ceifa a vida, das drogas que acorrentam a liberdade, da depressão que faz murchar a existência humana.
Meu sonho de Natal vem impregnado da ternura de minha mãe quando me deu à luz, nos seus afetos quando me acalmava o choro, na oferta de seus seios quando me assaltava a fome, no acalento do seu colo quando me custava o sono.
Meu Natal, a cada dia 25 de dezembro, é assim! Como é o seu?

(Monsenhor Elcy Arboitte, Diocese de Cachoeira do Sul-RS)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Discurso do Papa à Cúria Romana para as felicitações de Natal

brasão do Papa Francisco
DISCURSO
Encontro do Papa Francisco com a Cúria Romana para as felicitações de Natal
Sala Clementina – Vaticano
Segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Rádio Vaticano
Queridos irmãos e irmãs!
Com alegria, vos dirijo os meus votos mais cordiais de um santo Natal e feliz Ano Novo, que estendo a todos os colaboradores, aos Representantes Pontifícios e de modo particular àqueles que, tendo chegado à idade da reforma durante este ano, terminaram o seu serviço. Recordamos também as pessoas que foram chamadas à presença de Deus. Para vós todos e vossos familiares, a minha estima e gratidão.
No meu primeiro encontro convosco, em 2013, quis salientar dois aspectos importantes e inseparáveis do trabalho curial: o profissionalismo e o serviço, apontando a figura de São José como modelo a imitar. Ao passo que no ano passado, a fim de nos prepararmos para o sacramento da Reconciliação, abordámos algumas tentações e «doenças» – o «catálogo das doenças curiais» – que poderiam afectar cada cristão, cúria, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial; doenças, que requerem prevenção, vigilância, cuidado e, em alguns casos infelizmente, intervenções dolorosas e prolongadas.
Algumas dessas doenças manifestaram-se no decurso deste ano, causando não pouco sofrimento a todo o corpo e ferindo muitas almas.
Forçoso é dizer que isto foi – e sê-lo-á sempre – objecto de sincera reflexão e de medidas decisivas. A reforma prosseguirá com determinação, lucidez e ardor, porque Ecclesia semper reformanda.
Entretanto nem as doenças nem mesmo os escândalos poderão esconder a eficiência dos serviços que a Cúria Romana presta ao Papa e à Igreja inteira, com desvelo, responsabilidade, empenho e dedicação, sendo isso motivo de verdadeira consolação. Santo Inácio ensinava que «é próprio do espírito mau vexar, contristar, colocar dificuldades e turbar com falsas razões, para impedir de avançar; ao contrário, é próprio do espírito bom dar coragem e energias, consolações e lágrimas, inspiração e serenidade, diminuindo e removendo qualquer dificuldade, para avançar no caminho do bem».[1]
Seria grande injustiça não expressar sentida gratidão e o devido encorajamento a todas as pessoas sãs e honestas que trabalham com dedicação, lealdade, fidelidade e profissionalismo, oferecendo à Igreja e ao Sucessor de Pedro o conforto da sua solidariedade e obediência bem como das suas generosas orações.
Além disso, as próprias resistências, fadigas e quedas das pessoas e dos ministros constituem lições e oportunidades de crescimento, e nunca de desânimo. São oportunidade para «voltar ao essencial», que significa avaliar a consciência que temos de nós mesmos, de Deus, do próximo, do sensus Ecclesiae e do sensus fidei.
É deste «voltar ao essencial» que vos quero falar hoje, nos inícios da peregrinação do Ano Santo da Misericórdia, aberto pela Igreja há poucos dias e que constitui para ela e para todos nós um forte apelo à gratidão, à conversão, à renovação, à penitência e à reconciliação.
Na realidade, segundo diz Santo Agostinho de Hipona, o Natal é a festa da Misericórdia infinita de Deus: «Podia haver, para infelizes como nós, maior misericórdia do que aquela que induziu o Criador do céu a descer do céu e o Criador da terra a revestir-se dum corpo mortal? Aquela mesma misericórdia induziu de tal modo o Senhor do mundo a revestir-Se da natureza de servo, que embora sendo pão tivesse fome, embora sendo a saciação tivesse sede, embora sendo a força Se tornasse fraco, embora sendo a salvação fosse ferido, embora sendo vida pudesse morrer. E tudo isto para saciar a nossa fome, aliviar a nossa secura, reforçar a nossa fraqueza, apagar a nossa iniquidade, acender a nossa caridade».[2]
Por isso, no contexto deste Ano da Misericórdia e da preparação para o santo Natal, já à porta, quero apresentar-vos um instrumento prático para se poder viver frutuosamente este tempo de graça. Trata-se de um não-exaustivo «catálogo das virtudes necessárias», para quem presta serviço na Cúria e para todos aqueles que querem tornar fecunda a sua consagração ou o seu serviço à Igreja.
Convido os Responsáveis dos Dicastérios e os Superiores a aprofundá-lo, enriquecê-lo e completá-lo. É um elenco em acróstico que toma por base de análise precisamente a palavra «misericórdia», fazendo dela o nosso guia e o nosso farol:
1. Missionariedade e pastoreação. A missionariedade é aquilo que torna, e mostra, a Cúria fértil e fecunda; é a prova da eficácia, eficiência e autenticidade do nosso trabalho. A fé é um dom, mas a medida da nossa fé prova-se também pelo modo como somos capazes de a comunicar.[3] Cada baptizado é missionário da Boa Nova primariamente com a sua vida, o seu trabalho e o seu testemunho jubiloso e convincente. Uma pastoreação sã é virtude indispensável especialmente para cada sacerdote. É o compromisso diário de seguir o Bom Pastor que cuida das suas ovelhas e dá a sua vida para salvar a vida dos outros. É a medida da nossa actividade curial e sacerdotal. Sem estas duas asas nunca poderemos voar, nem alcançar a bem-aventurança do «servo fiel» (cf. Mt 25, 14-30).
2. Idoneidade e sagácia. A idoneidade requer o esforço pessoal por adquirir os requisitos necessários para se exercer da melhor maneira as próprias tarefas e actividades, com inteligência e intuição. É contra recomendações e subornos. A sagácia é a prontidão de mente para compreender e enfrentar as situações com sabedoria e criatividade. Idoneidade e sagácia constituem também a resposta humana à graça divina, quando cada um de nós segue esta famosa sentença: «Fazer tudo como se Deus não existisse e, depois, deixar tudo a Deus como se eu não existisse». É o comportamento do discípulo que, diariamente, se dirige ao Senhor com estas palavras duma belíssima Oração Universal atribuída ao Papa Clemente XI: «Guiai-me com a vossa sabedoria, governai-me com a vossa justiça, encorajai-me com a vossa bondade, protegei-me com o vosso poder. Ofereço-Vos, ó Senhor, os pensamentos, para que estejam fixos em Vós; as palavras, para que sejam vossas; as acções, para que sejam segundo o vosso querer; as tribulações, para que as sofra por Vós».[4]
3. ESpiritualidade e humanidade. A espiritualidade é a coluna sustentáculo de qualquer serviço na Igreja e na vida cristã. É aquilo que nutre toda a nossa actividade, sustenta-a e protege-a da fragilidade humana e das tentações diárias. A humanidade é o que encarna a veridicidade da nossa fé. Quem renúncia à sua humanidade, renuncia a tudo. É a humanidade que nos torna diferentes das máquinas e dos robôs que não sentem nem se comovem. Quando temos dificuldade em chorar a sério ou rir com paixão, então começou o nosso declínio e o nosso processo de transformação de «homens» noutra coisa qualquer. A humanidade é saber mostrar ternura, familiaridade e gentileza com todos (cf. Flp 4, 5). A espiritualidade e a humanidade, embora qualidades inatas, não deixam de ser potencialidades que carecem de realização integral, progressivo desenvolvimento e prática diária.
4. Exemplaridade e fidelidade. O Beato Paulo VI recordou à Cúria «a sua vocação à exemplaridade».[5] Exemplaridade para evitar os escândalos que ferem as almas e ameaçam a credibilidade do nosso testemunho. Fidelidade à nossa consagração, à nossa vocação, lembrando-nos sempre das palavras de Cristo: «quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco, também é infiel no muito» (Lc 16, 10) e «se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo» (Mt 18, 6-7).
5. Racionalidade e amabilidade. A racionalidade serve para evitar os excessos emocionais e a amabilidade para evitar os excessos da burocracia e das programações e planificações. São dotes necessários para o equilíbrio da personalidade: «O inimigo observa bem se uma alma é rude ou delicada; se é delicada, procura torná-la delicada até ao excesso, para depois mais a angustiar e confundir».[6] Todo o excesso é indício de qualquer desequilíbrio.
6. Inocuidade e determinação. A inocuidade, que nos torna cautelosos no juízo, capazes de nos abstermos de acções impulsivas e precipitadas. É a capacidade de fazer emergir o melhor de nós mesmos, dos outros e das situações, agindo com cuidado e compreensão. É fazer aos outros aquilo que querias que fosse feito a ti (cf. Mt 7, 12; Lc 6, 31). A determinação é o agir com vontade decidida, visão clara e obediência a Deus e somente pela lei suprema da salus animarum (cf. CIC, cân. 1725).
7. Caridade e verdade. Duas virtudes indissolúveis da vida cristã: «testemunhar a verdade na caridade e viver a caridade na verdade» (cf. Ef 4, 15).[7] De contrário, a caridade sem verdade torna-se ideologia da bonacheirice destrutiva e a verdade sem caridade torna-se justicialismo cego.
8. HOnestidade e maturidade. A honestidade é a rectidão, a coerência e o agir com absoluta sinceridade connosco mesmos e com Deus. Quem é honesto não age rectamente apenas sob o olhar do supervisor ou do superior; o honesto não teme ser apanhado de surpresa, porque nunca engana a quem se fia dele. O honesto nunca domina sobre as pessoas ou sobre as coisas que lhe foram confiadas em administração, como o «servo mau» (Mt 24, 48). A honestidade é a base sobre a qual assentam todas as outras qualidades. Maturidade é o esforço para alcançar a harmonia entre as nossas capacidades físicas, psíquicas e espirituais. É a meta e o bom êxito dum processo de desenvolvimento que não termina jamais nem depende da idade que temos.
9. Respeito e humildade. O respeito é dote das almas nobres e delicadas; das pessoas que procuram sempre ter em justa consideração os outros, a sua função, os superiores e os subordinados, os problemas, os documentos, o segredo e a confidencialidade; das pessoas que sabem ouvir atentamente e falar educadamente. A humildade, por sua vez, é a virtude dos santos e das pessoas cheias de Deus, que quanto mais sobem de importância tanto mais cresce nelas a consciência de nada serem e de nada poderem fazer sem a graça de Deus (cf. Jo 15, 8).
10. Dadivoso e atento. Quanto maior confiança tivermos em Deus e na sua providência, tanto mais seremos dadivosos de alma e mais seremos mãos abertas para dar, sabendo que quanto mais se dá, mais se recebe. Na realidade, é inútil abrir todas as Portas Santas de todas as basílicas do mundo, se a porta do nosso coração está fechada ao amor, se as nossas mãos estão fechadas para dar, se as nossas casas estão fechadas para hospedar e se as nossas igrejas estão fechadas para acolher. A atenção é o cuidado dos detalhes e a oferta do melhor de nós mesmos sem nunca cessar de vigiar sobre os nossos vícios e faltas. São Vicente de Paulo rezava assim: «Senhor, ajudai-me a dar-me conta, imediatamente, daqueles que estão ao meu lado, daqueles que vivem preocupados e desorientados, daqueles que sofrem sem o manifestar, daqueles que se sentem isolados, sem o querer».
11. Impavidez e prontidão. Ser impávido significa não se deixar amedrontar perante as dificuldades, como Daniel na cova dos leões, como David diante de Golias; significa agir com audácia e determinação e sem indolência «como bom soldado» (2 Tm 2, 3-4); significa saber dar o primeiro passo sem demora, como Abraão e como Maria. Por sua vez, a prontidão é saber actuar com liberdade e agilidade, sem apegar-se às coisas materiais que passam. Diz o salmo: «Se as vossas riquezas crescerem, não lhes entregueis o coração» (Sal 62/61, 11). Estar pronto significa estar sempre a caminho, sem jamais se sobrecarregar acumulando coisas inúteis e fechando-se nos próprios projectos, nem se deixar dominar pela ambição.
12. FiAbilidade e sobriedade. Fiável é aquele que sabe manter os compromissos com seriedade e atendibilidade quando está a ser observado mas sobretudo quando está sozinho; é aquele que ao seu redor irradia uma sensação de tranquilidade, porque nunca atraiçoa a confiança que lhe foi concedida. A sobriedade – última virtude deste elenco mas não na importância – é a capacidade de renunciar ao supérfluo e resistir â lógica consumista dominante. A sobriedade é prudência, simplicidade, essencialidade, equilíbrio e temperança. A sobriedade é contemplar o mundo com os olhos de Deus e com o olhar dos pobres e do lado dos pobres. A sobriedade é um estilo de vida,[8] que indica o primado do outro como princípio hierárquico e manifesta a existência como solicitude e serviço aos outros. Quem é sóbrio é uma pessoa coerente e essencial em tudo, porque sabe reduzir, recuperar, reciclar, reparar e viver com o sentido de medida.
Queridos irmãos!
A misericórdia não é um sentimento passageiro, mas é a síntese da Boa Nova, é a opção de quem quer ter os sentimentos do «Coração de Jesus»,[9] de quem seriamente quer seguir o Senhor que nos pede: «Sede misericordiosos como o vosso Pai» (Lc 6, 36; cf. Mt 5, 48). Afirma o padre Hermes Ronchi: «Misericórdia é escândalo para a justiça, loucura para a inteligência, consolação para nós, devedores. A dívida de existir, a dívida de ser amados, só se paga com a misericórdia».
Concluindo, seja a misericórdia a guiar os nossos passos, a inspirar as nossas reformas, a iluminar as nossas decisões; seja ela a coluna sustentáculo do nosso agir; seja ela a ensinar-nos quando devemos avançar e quando devemos recuar um passo; seja ela a fazer-nos ler a pequenez das nossas acções no grande projecto de salvação de Deus e na majestade misteriosa da sua obra.
Para nos ajudar a compreender isto, deixemo-nos encantar por esta estupenda oração, vulgarmente atribuída ao Beato Óscar Arnulfo Romero mas pronunciada pela primeira vez pelo Cardeal John Dearden:
«De vez em quando ajuda-nos recuar um passo e ver de longe.
O Reino não está apenas para além dos nossos esforços,
está também para além das nossas visões.
Na nossa vida, conseguimos cumprir apenas uma pequena parte
daquele maravilhoso empreendimento que é a obra de Deus.
Nada daquilo que fazemos está completo.
Isto quer dizer que o Reino está mais além de nós mesmos.
Nenhuma afirmação diz tudo o que se pode dizer.
Nenhuma oração exprime completamente a fé.
Nenhum credo contém a perfeição.
Nenhuma visita pastoral traz consigo todas as soluções.
Nenhum programa cumpre plenamente a missão da Igreja.
Nenhuma meta ou objectivo atinge a dimensão completa.
Disto se trata:
plantamos sementes que um dia nascerão.
Regamos sementes já plantadas,
sabendo que outros as guardarão.
Pomos as bases de algo que se desenvolverá.
Pomos o fermento que multiplicará as nossas capacidades.
Não podemos fazer tudo,
mas dá uma sensação de libertação iniciá-lo.
Dá-nos a força de fazer qualquer coisa e fazê-la bem.
Pode ficar incompleto, mas é um início, o passo dum caminho.
Uma oportunidade para que a graça de Deus entre
e faça o resto.
Pode acontecer que nunca vejamos a sua perfeição,
mas esta é a diferença entre o mestre de obras e o trabalhador.
Somos trabalhadores, não mestres de obras,
servidores, não messias.
Somos profetas de um futuro que não nos pertence».
[1] Exercícios Espirituais, 315.
[2] Cf. Serm. 207, 1: NBA, XXXII/1, 148s.
[3] «A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os “confins” da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé» (Mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2013, 2).
[4] Missale Romanum, 2002.
[5] Discurso à Cúria Romana, 21 de Setembro de 1963: AAS 55 (1963), 793-800.
[6] Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais, 349.
[7] «A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. (…) É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta» (Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 29 de Junho de 2009, 1: AAS 101 (2009), 641), por isso é preciso «conjugar a caridade com a verdade, não só na direcção assinalada por S. Paulo da “veritas in caritate” (Ef 4, 15), mas também na direcção inversa e complementar da “caritas in veritate”. A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na “economia” da caridade, mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade» (Ibid., 2).
[8] Um estilo de vida caracterizado pela sobriedade restitui ao homem aquele «comportamento desinteressado, gratuito, estético que brota do assombro diante do ser e da beleza, que leva a ler, nas coisas visíveis, a mensagem do Deus invisível que as criou» (João Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 37; cf. AA.VV., Nuovi stili di vita nel tempo della globalizzazione, Fond. «Apostolicam Actuositatem», Roma 2002).
[9] São João Paulo II disse no «Angelus» de 9 de Julho de 1989: «A expressão “Coração de Jesus” traz de imediato à mente a humanidade de Cristo, e ressalta-lhe a riqueza dos sentimentos, a compaixão para com os enfermos; a predilecção pelos pobres; a misericórdia para com os pecadores; a ternura para com as crianças; a fortaleza na denúncia da hipocrisia, do orgulho e da violência; a mansidão diante dos opositores; o zelo pela glória do Pai e o júbilo pelos seus misteriosos e providentes desígnios de graça (…) recorda depois la tristeza de Cristo pela traição de Judas, o abatimento por causa da solidão, a angústia diante da morte, o abandono filial e obediente nas mãos do Pai. E fala sobretudo do amor que sem cessar brota do seu íntimo: amor infinito para com o Pai e amor sem limites pelo homem».

Como surgiu o costume de montar presépios no Natal?

Para que todos nós cristãos possamos realmente sentir o significado do Presépio do Natal, conhecendo a história do mesmo, publico aqui um artigo onde é contado à nós como surgiu esse costume abençoado por Deus!



FONTE: http://www.arautos.org/artigo/21931/O-primeiro-presepio-da-Historia.html, 10:02, 24/12/2015


O primeiro presépio da História
Victor Toniolo - 2015/12/23

Como surgiu o piedoso costume de montar presépios por ocasião do Natal?
Corria o ano de 1223. A neve cobria com seu alvo manto a pequenina cidade de Greccio, no centro-sul da Itália. Os sinos repicavam festivamente, anunciando a noite de Natal.
Todos os habitantes, camponeses em sua maioria, encontravam-se reunidos em torno de São Francisco de Assis, que procurava explicar- lhes o mistério do nascimento do Menino-Deus. Eles ouviam com respeito, mas... não davam mostras de terem realmente compreendido. O que fazer?
São Francisco procurou um modo mais didático de explicar aos iletrados aldeões a história do Natal. Mandou trazerem-lhe uma imagem do Menino Jesus, uma manjedoura, palhas, um boi e um burro. Os campônios entreolharam-se, surpresos, mas providenciaram tudo sem demora.
Em pouco tempo, o Santo compôs a cena: no centro, a manjedoura com as palhas; no fundo, os dois pacíficos animais. Faltava apenas a imagem do Menino Jesus. Com grande devoção, São Francisco tomou- a nos braços, para depositá-la na manjedoura.
Dá-se então um grande prodígio! Ante os olhos maravilhados de todos, a imagem toma vida e o Menino sorri para São Francisco. Este abraça ternamente o Divino Infante e O deita sobre as palhas da manjedoura, enquanto todos se ajoelham em atitude de enlevada adoração.
O Menino-Deus sorri uma vez mais e abençoa aqueles camponeses ali prostrados a seus pés.
Poucos instantes depois, havia sobre as palhas uma simples imagem inanimada... Mas na alma de todos permaneceu a recordação viva do Menino Jesus. Ele lhes havia sorrido!
A partir de então, o povo de Greccio montava todos os anos o “presépio de São Francisco”, na cândida esperança de que o  milagre se renovasse. Não foram iludidos em sua esperança. Embora a imagem não mais tomasse vida, a Virgem Maria lhes falava especialmente à alma nessas ocasiões, com graças sensíveis.
Que graças? As graças próprias à Liturgia do Natal.
Só para os aldeões de Greccio? Não! Em todos os presépios do mundo está presente o Menino Jesus — com Maria, sua Mãe, e São José — à espera apenas de que nos acerquemos para, também nós, recebermos um sorriso e uma bênção. É justamente por este motivo que se espalhou por todo o universo católico o costume de montar presépios por ocasião do Natal.

Faça, leitor, como os habitantes de Greccio. Ajoelhe-se piedosamente diante do Menino Jesus no presépio e, por intercessão da Virgem Maria, peça para si e para todos os seus entes queridos esse sorriso que comunica felicidade, essa bênção que transmite paz. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2003, n. 24, p. 50-51)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Cristo nasceu realmente em 25 de dezembro?

Irmãos, essa é uma pergunta que muito nos fazem, tentando dizer que o Natal não é uma festa correta porque não tem como saber quando o Senhor realmente nasceu.
Publico aqui um artigo onde é explicado, a partir das Escrituras e da Tradição, que o nascimento do Senhor foi sim no dia 25 de dezembro!

Que sirva para fortalecer ainda mais nossa fé!



FONTE: http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/5340/37/, 23:37, 23/12/2015

Por Taylor Marshall

A Igreja Católica, pelo menos desde o século II, tem afirmado que Cristo nasceu no dia 25 de dezembro. No entanto, é comum ouvirmos dizer que Nosso Senhor Jesus Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro. Por uma questão de simplicidade, vamos definir as objeções usuais para a data de 25 de dezembro e refutar cada uma delas.

Objeção 1: 25 de dezembro foi escolhido para substituir a festa romana e pagã da Saturnália. A Saturnália era uma festividade popular de inverno e, assim, a Igreja Católica, prudentemente, substituiu-a pelo Natal.

Resposta à 1ª objeção: A Saturnália comemorava o solstício de inverno. No entanto, o solstício de inverno cai no dia 22 de dezembro. É verdade que as celebrações da Saturnália começavam a partir de 17 de dezembro e se estendiam até 23 de dezembro. Ainda assim as datas não coincidem.

Objeção 2: O dia 25 de dezembro foi escolhido para substituir o feriado romano pagão do Natalis Solis Invicti, que significa “o nascimento do Sol Invicto”.

Resposta à 2ª objeção: Vamos examinar primeiro o culto do Sol Invicto. O imperador Aureliano introduziu o culto do Sol Invictus ou “Sol Vitorioso” em Roma no ano 274. Aureliano procurava obter uma força política com esse culto, porque seu próprio nome, Aureliano, deriva da palavra latina “aurora” que significa “nascer do sol”. Moedas revelam que o Imperador Aureliano se proclamava o Solis Pontifex ou “pontífice do sol”. Assim, Aureliano simplesmente reorganizou um culto genérico ao Sol e identificou-o com o seu nome, no final do século III.

O mais importante é que não há registros históricos de uma celebração Natalis Sol Invictus no dia 25 de dezembro anteriores a 354 DC (Depois de Cristo). Um manuscrito do ano 354 DC, porém, traz uma luz pois nele há um registro para 25 de dezembro onde se lê: “XXX N invicti CM.” Aqui, N significa “nascimento”; Invicti significa “do Invicto”; CM significa “circenses missus” ou “jogos autorizados” e o XXX romano é igual a 30. Assim, a inscrição significa que 30 jogos foram autorizados para o nascimento do Invicto em 25 de dezembro. Observem que a palavra “Sol” não está presente. Além disso, o mesmo códice também lista “natus Christus in Betleem Iudeae” para o dia de 25 de dezembro. A frase é traduzida como “o nascimento de Cristo em Belém da Judéia.” [1]

A data de 25 de dezembro só se tornou o “Aniversário do Sol Invicto” sob o imperador Juliano, o Apóstata. Juliano foi cristão, mas apostatou, voltando ao paganismo romano. A História, portanto, revela que foi o ódio do imperador ex-cristão que erigiu um feriado pagão em 25 de dezembro. Pense nisso por um instante. O que ele estava tentando substituir?

Esses fatos históricos revelam que o Sol Invicto não era provavelmente uma divindade popular no Império Romano. O povo romano não precisava ser encorajado a abandonar um suposto feriado antigo, pois a tradição de uma celebração no dia 25 de dezembro não encontra lugar no calendário romano antes da cristianização de Roma. O feriado do “Nascimento do Sol Invicto” foi pouco tradicional e pouco popular. A Saturnália (mencionada anteriormente) era muito mais popular, tradicional e divertida. Parece, ao contrário, que Juliano tenha tentado introduzir um feriado pagão a fim de substituir um feriado cristão!

Objeção 3: Cristo não poderia ter nascido em dezembro, uma vez que São Lucas descreve pastores pastoreando seus rebanhos nos campos vizinhos de Belém. Pastores não pastoreiam durante o inverno. Assim, Cristo não nasceu no inverno.

Resposta à objeção 3: Lembre-se de que a Palestina não é a Inglaterra, Rússia ou Alasca. Belém situa-se nos 31,7 graus de latitude. A cidade de Dallas no Texas [onde vive o autor do texto] tem a latitude de 32,8 graus e, ainda assim, o clima é bastante confortável ao relento em dezembro. Como o grande Cornelius a Lapide observou durante sua vida, podem-se ainda ver pastores e ovelhas nos campos da Itália ao final de dezembro, e a Itália está numa latitude maior que a de Belém.

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Agora vamos passar a estabelecer o aniversário de Cristo, a partir das Sagradas Escrituras, em duas etapas. O primeiro passo é usar as Escrituras para determinar o aniversário de São João Batista. O passo seguinte é usar o nascimento de São João Batista como a chave para encontrar o nascimento de Cristo. Podemos concluir que Cristo nasceu no final de dezembro, observando, em primeiro lugar, a época do ano em que São Lucas descreve São Zacarias no Templo. Isto nos dá a data aproximada da concepção de São João Batista. A partir daí, podemos seguir a cronologia que São Lucas nos dá e que nos leva ao final de dezembro.

São Lucas relata que Zacarias servia o Templo na “classe de Abias” (São Lucas 1:5), que as Escrituras registram como a oitava classe entre as 24 classes sacerdotais (Ne 12:17). Cada classe de sacerdotes servia por uma semana no Templo, duas vezes ao ano. A classe de Abias serviu durante a oitava semana e a trigésima segunda no ciclo anual [2]. No entanto, quando é que o ciclo de classes começava?

Josef Heinrich Friedlieb estabeleceu, de maneira convincente, que a primeira classe sacerdotal de Joiarib estava servindo durante a destruição de Jerusalém, no nono dia do mês judaico de Av [3]. Assim, a classe sacerdotal de Joiarib estaria servindo durante a segunda semana de Av. Consequentemente, a classe sacerdotal de Abias (o turno de São Zacarias) iria, sem dúvida, cair durante a segunda semana do mês judaico de Tishri, a própria semana do Dia da Expiação, no décimo dia de Tishri. Em nosso calendário, o Dia da Expiação cai entre 22 de setembro e 8 de outubro.

Zacarias e Isabel conceberam João Batista logo após Zacarias ter servido no seu turno. Isto implica que São João Batista teria sido concebido em algum dia em torno do final de setembro e coloca seu nascimento no final de junho, confirmando a celebração pela Igreja Católica da Natividade de São João Batista em 24 de junho.

O Proto-evangelho de São Tiago, do século II, também confirma a concepção do Batista lá pelo final de setembro, já que este trabalho descreve São Zacarias como Sumo Sacerdote e adentrando ao Santo dos Santos, não apenas o lugar santo do altar do incenso. Este é um erro factual porque Zacarias não foi Sumo Sacerdote, apenas um dos sacerdotes principais [4]. Ainda assim, o Proto-evangelho considera Zacarias como o Sumo Sacerdote e isso o associa com o Dia da Expiação, que cai no décimo dia do mês hebreu de Tishrei (aproximadamente o fim do nosso mês de setembro). Imediatamente após esta estadia no Templo e a mensagem do Arcanjo Gabriel, Zacarias e Isabel concebem João Batista. Considerando as 40 semanas de gestação, isso coloca o nascimento de João Batista no final de junho, mais uma vez confirmando a data católica para a Natividade de São João Batista em 24 de junho.

O resto da datação é bastante simples. Nós lemos que logo após a Imaculada Virgem Maria ter concebido a Cristo, Ela foi visitar sua prima Isabel, que estava grávida de seis meses de João Batista. Isso significa que João Batista era seis meses mais velho que Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 1:24-27, 36). Se adicionarmos seis meses a 24 de junho você chega a 24-25 de dezembro para a data do nascimento de Cristo. Então, se subtrairmos nove meses de 25 de dezembro concluímos que a Anunciação foi em 25 de março. Todas as datas coincidem perfeitamente. Então, se João Batista foi concebido logo após o Dia judaico da Expiação, então as datas tradicionais católicas estão essencialmente corretas. O nascimento de Cristo seria em torno de, ou em 25 de dezembro.

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A Sagrada Tradição também confirma 25 de dezembro como a data do nascimento do Filho de Deus. A fonte desta tradição antiga é a própria Virgem Maria. Pergunte a qualquer mãe sobre o nascimento de seus filhos. Ela não vai apenas dar-lhe a data do nascimento, mas ela vai ser capaz de dizer a hora, a localização, o clima, o peso e o tamanho do bebê, e uma série de outros detalhes. Eu sou pai de seis filhos abençoados, e embora eu às vezes esqueça estes detalhes, mea maxima culpa, minha esposa nunca os esquece. Vejam, as mães nunca esquecem os detalhes que cercam o nascimento de seus bebês.

Agora pergunte a si mesmo: Será que a Santíssima Virgem Maria alguma vez se esqueceu do nascimento de seu Filho Jesus Cristo, que foi concebido sem semente humana, proclamado pelos Anjos, nascido de uma forma milagrosa, e visitado por Magos? Ela sabia desde o momento de Sua Encarnação no seu ventre imaculado que Ele era o Filho de Deus e Messias. Será que Ela, porventura, esqueceu-se daquele dia? [5]

Em seguida, pergunte-se: Será que os Apóstolos teriam se interessado em ouvir Maria contar a história? É claro que sim. Você acha que o Santo Apóstolo, que escreveu: “E o Verbo se fez carne”, não estava interessado nos detalhes minuciosos de seu nascimento? Mesmo quando eu ando por aí com meu filho de sete meses de idade, as pessoas sempre perguntam: “Que idade ele tem?” Ou “Quando ele nasceu?” Você não acha que as pessoas fizeram estas perguntas a Maria?

Então, a data exata do Nascimento (25 de dezembro) e a hora (meia-noite) teriam sido conhecidas no século I. Além disso, os Apóstolos teriam perguntado sobre o assunto e teriam, sem dúvida, comemorado o evento abençoado, que tanto São Mateus quanto São Lucas nos narram. Em resumo, é completamente razoável afirmar que os primeiros cristãos tanto conheciam quanto comemoravam o Nascimento de Cristo. A fonte de informação deles teria sido Sua Mãe Imaculada.

Testemunhos posteriores revelam que os Padres da Igreja já afirmavam ser 25 de dezembro a data de nascimento de Cristo, antes da conversão de Constantino e do Império Romano. O registro mais antigo desta data é que o Papa São Teléforo (que reinou de 126 a 137 DC), instituiu a tradição da Missa do Galo na noite de Natal. Embora o Liber Pontificalis não nos dê a data do Natal, ele assume que o Papa já estava comemorando o Natal e que uma Missa à meia-noite foi adicionada. Desta mesma época, também lemos as seguintes palavras de Teófilo (115-181 DC), Bispo de Cesareia, na Palestina: “Devemos comemorar o nascimento de Nosso Senhor em qualquer dia da semana em que cair o dia 25 de dezembro”. [6]

Pouco tempo depois, no século II, Santo Hipólito (170-240 AD) escreveu, de passagem, que o Nascimento de Cristo ocorreu em 25 de dezembro:

“A primeira vinda de Nosso Senhor na carne ocorreu quando Ele nasceu em Belém, no dia 25 de dezembro, uma quarta-feira, enquanto que Augusto estava em seu quadragésimo segundo ano, que é de cinco mil e quinhentos anos de Adão. Ele sofreu no trigésimo terceiro ano, 25 de março, sexta-feira, o décimo oitavo ano de Tibério César, enquanto Rufus e Roubellion eram cônsules.” [7]

Observe também na citação acima o significado especial de 25 de março, que marca a morte de Cristo: 25 de março foi considerado como correspondente à data hebraica de 14 do mês Nisan, que é a data tradicional da Crucificação [8]. Como o homem perfeito, se acreditava que Cristo teria sido concebido e morto no mesmo dia 25 de março. Em seu Chronicon, Santo Hipólito afirma que a Terra foi criada em 25 de março de 5.500 AC. Assim, 25 de março foi identificada pelos Padres da Igreja, como a data da criação do Universo, como a data da Anunciação e Encarnação de Cristo, e também como a data da Morte de Cristo, Nosso Salvador.

Na Igreja da Síria, 25 de março, como a Festa da Anunciação, era visto como uma das festas mais importantes do ano inteiro. É comemorada como o dia em que Deus iniciou a sua estadia no ventre da Virgem. Na verdade, se a Anunciação e a Sexta-feira Santa entravam em conflito no calendário, a Anunciação se sobrepunha, tão importante era o dia na tradição síria. Desnecessário dizer que a Igreja Síria preservou algumas das mais antigas tradições cristãs e tinha uma devoção doce e profunda por Maria e pela Encarnação de Cristo.

Pois bem, se 25 de março ficou consagrado na tradição cristã, a partir desta data ficou fácil se discernir a data do Nascimento de Cristo. 25 de março (Cristo concebido pelo Espírito Santo), mais nove meses leva-nos a 25 de dezembro (o Nascimento de Cristo em Belém).

Santo Agostinho confirma esta tradição de 25 de março como a concepção messiânica e 25 de dezembro como o seu nascimento:

“Porque se acredita que Cristo tenha sido concebido no dia 25 de março, dia em que também Ele sofreu; assim o seio da Virgem, no qual Ele foi concebido, onde nenhum dos mortais foi gerado, corresponde à nova sepultura na qual Ele foi sepultado, onde ninguém tinha sido colocado, nem antes nem depois Dele. Mas Ele nasceu, segundo a tradição, em 25 de Dezembro”. [9]

Em torno do ano 400 DC, Santo Agostinho observou também como os cismáticos donatistas comemoravam o 25 de dezembro como o Nascimento de Cristo, mas que se recusavam a celebrar a Epifania em 6 de janeiro, uma vez que eles consideravam a Epifania como uma festa nova sem uma base na Tradição Apostólica. O cisma donatista teve origem no ano 311, o que indica que a Igreja Latina já estava celebrando o Natal em 25 de dezembro (mas não a Epifania em 6 de janeiro) antes do ano 311. Seja qual for o caso, a celebração litúrgica do Nascimento de Cristo era comemorada em Roma em 25 de dezembro, desde muito antes do Cristianismo tornar-se oficial e muito antes de nosso registro mais antigo de uma festa pagã para o nascimento do Sol Invicto. Por esses motivos, é razoável crer que Cristo nasceu em 25 de dezembro do ano 1 AC e que ele morreu e ressuscitou em março de 33 DC.

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[1]: Cronografia do AD 354. Parte 12: Comemorações dos Mártires. MGH crônica pequenos I (1892), pp 71-2.

[2]: Note-se que existem duas sessões de Abias. Esta teoria só funciona se Zacarias e Isabel conceberam João Batista após a segunda sessão de Zacarias – a sessão de setembro. Se São Lucas refere-se à primeira sessão, isto então colocaria o nascimento de João Batista no final do outono e o Nascimento de Cristo no final da primavera. No entanto, acredito que a Tradição e os Proto-evangelhos comprovam que Batista foi concebido no final de setembro.

[3]: Leben Josef Heinrich Friedlieb de J. Christi Erlösers Des. Münster, 1887, p. 312.

[4]: A tradição grega especialmente celebra São Zacarias como “sumo sacerdote”. No entanto, Atos 5:24 revela que há vários “sacerdotes” (ἀρχιερεῖς) e, portanto, a afirmação de que Zacarias era um “sumo sacerdote” não indicaria uma contradição. A tradição grega identifica Zacharias como arcipreste e mártir, baseada na narrativa do Proto-evangelho de Tiago e Mateus 23:35: “Para que sobre vós caia todo o sangue que foi derramado sobre a Terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que vós matastes entre o santuário e o altar”. (Mateus 23:35)

[5]: Um agradecimento especial ao Reverendo Padre Phil Wolfe, FSSP, por trazer o argumento da “memória de Maria” para a minha atenção.

[6]: Magdeburgenses, cento. 2. c. 6. Hospinian, De origine FestorumChirstianorum.

[7]: Santo Hipólito de Roma, Comentário sobre Daniel.

[8]: Há algumas discrepâncias nos Padres para saber se o dia 14 de Nisan ou 25 de março marcou a Morte de Cristo ou a sua Ressurreição.

[9]: Santo Agostinho, De Trinitate, 4, 5.